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Curva glicêmica na gravidez (TOTG 75 g): valores de referência, preparo e o que fazer se der alterado

Curva glicêmica na gravidez (TOTG 75 g): quando fazer, como se preparar, valores de referência para diabetes gestacional (92, 180 e 153 mg/dL), tratamento e cuidados após o parto.

Resposta rápida: o teste oral de tolerância à glicose (TOTG) com 75 g de glicose é feito entre 24 e 28 semanas em gestantes que não tiveram diagnóstico prévio. Pelo critério adotado no Brasil, há diabetes gestacional se pelo menos um valor estiver alterado: jejum ≥ 92 mg/dL, 1 hora ≥ 180 mg/dL ou 2 horas ≥ 153 mg/dL. Faça jejum de 8 horas (sem passar de 14), mantenha a alimentação habitual nos dias anteriores e fique em repouso durante o exame. O diagnóstico tem tratamento, e a maioria das gestantes controla a glicemia com alimentação e atividade física.

Valores de referência (TOTG 75 g na gestação)

Momento Diabetes gestacional se Diabetes diagnosticado na gestação se
Jejum 92 a 125 mg/dL 126 mg/dL ou mais
1 hora 180 mg/dL ou mais —
2 horas 153 a 199 mg/dL 200 mg/dL ou mais

Basta um valor alterado para o diagnóstico.

O diabetes gestacional é uma das condições mais comuns da gravidez. Durante a gestação, hormônios produzidos pela placenta aumentam a resistência à insulina — um mecanismo natural para garantir glicose ao bebê. Quando o pâncreas da mãe não consegue compensar produzindo mais insulina, a glicemia sobe. O rastreamento existe justamente para identificar e tratar cedo, reduzindo riscos para mãe e bebê.

Como funciona o rastreamento no Brasil

  1. Primeira consulta de pré-natal: glicemia de jejum.
    • Abaixo de 92 mg/dL: normal; seguir para o TOTG entre 24 e 28 semanas;
    • Entre 92 e 125 mg/dL: diabetes gestacional;
    • 126 mg/dL ou mais: diabetes diagnosticado na gestação (provavelmente pré-existente).
  2. Entre 24 e 28 semanas: TOTG com 75 g para quem não teve diagnóstico anterior.

Em locais com menos recursos, o protocolo nacional admite estratégias alternativas baseadas na glicemia de jejum. Siga o fluxo da sua unidade de saúde. Para saber em que semana você está, veja como calcular as semanas pela DUM.

Como se preparar para a curva glicêmica

  • Jejum de 8 horas, sem ultrapassar 14 horas. Água é permitida;
  • Não faça dieta nos dias anteriores: mantenha a alimentação habitual, com carboidratos. Restringir antes pode alterar o resultado;
  • Evite exercícios intensos no dia anterior e na manhã do exame;
  • Informe medicamentos em uso (alguns, como corticoides, alteram a glicemia);
  • Leve algo para se distrair: o exame dura cerca de 2 horas e meia;
  • Leve um lanche para depois da última coleta.

Como é feito o exame

  1. Coleta de sangue em jejum;
  2. Ingestão de uma solução com 75 g de glicose em até 5 minutos;
  3. Nova coleta após 1 hora;
  4. Última coleta após 2 horas.

Durante o exame, fique sentada e em repouso, sem comer, fumar ou caminhar. Se vomitar a solução, avise o laboratório: o exame geralmente precisa ser remarcado. Quem tem enjoo forte pode pedir orientação antes — veja dicas no guia sobre enjoo na gravidez.

Riscos do diabetes gestacional não controlado

Para o bebê Para a mãe
Crescimento excessivo (macrossomia) Pré-eclâmpsia
Hipoglicemia após o nascimento Maior chance de cesárea e lacerações
Desconforto respiratório Polidrâmnio (excesso de líquido amniótico)
Icterícia Risco aumentado de diabetes tipo 2 no futuro

Com controle adequado, esses riscos diminuem bastante.

Tratamento

1. Alimentação

  • Fracionar em 5 a 6 refeições ao dia;
  • Priorizar alimentos integrais, verduras, legumes, proteínas magras e gorduras boas;
  • Reduzir açúcares, doces, refrigerantes, sucos e farinhas refinadas;
  • Acompanhamento com nutricionista sempre que possível.

2. Atividade física

Caminhadas e exercícios moderados, liberados pelo obstetra, ajudam o corpo a usar a glicose. Até 10 a 15 minutos de caminhada após as refeições já fazem diferença.

3. Monitorização da glicemia

Medidas com glicosímetro em jejum e após as refeições, conforme orientação. Metas comumente usadas: jejum abaixo de 95 mg/dL, 1 hora após a refeição abaixo de 140 mg/dL ou 2 horas abaixo de 120 mg/dL.

4. Medicamentos

Quando as metas não são atingidas com dieta e exercício, a insulina é o tratamento de escolha. Em algumas situações, o médico pode indicar metformina. O uso de medicação não significa fracasso — é parte do cuidado.

E depois do parto?

  • Na maioria das mulheres, a glicemia volta ao normal logo após o nascimento;
  • O bebê tem a glicemia monitorada nas primeiras horas;
  • Recomenda-se repetir o TOTG com 75 g a partir de 6 semanas após o parto para confirmar que a glicemia normalizou;
  • Quem teve diabetes gestacional deve fazer rastreamento periódico de diabetes ao longo da vida;
  • A amamentação ajuda a reduzir o risco futuro de diabetes tipo 2 para a mãe.

Fatores de risco para diabetes gestacional

  • Idade materna mais avançada;
  • Sobrepeso ou obesidade;
  • Ganho de peso excessivo na gestação;
  • Diabetes em parentes de primeiro grau;
  • Diabetes gestacional ou bebê grande em gestação anterior;
  • Síndrome dos ovários policísticos;
  • Hipertensão.

Mesmo sem fatores de risco, todas as gestantes devem ser rastreadas.

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Perguntas frequentes

Quais são os valores normais da curva glicêmica na gravidez?

Jejum abaixo de 92 mg/dL, 1 hora abaixo de 180 mg/dL e 2 horas abaixo de 153 mg/dL. Um valor igual ou acima desses já indica diabetes gestacional.

Quando fazer a curva glicêmica na gravidez?

Entre 24 e 28 semanas de gestação, para quem não teve diagnóstico de diabetes na glicemia de jejum da primeira consulta.

Precisa fazer dieta antes da curva glicêmica?

Não. Mantenha a alimentação habitual nos dias anteriores e faça jejum de 8 horas, sem passar de 14 horas.

Posso beber água antes da curva glicêmica?

Sim, água é permitida durante o jejum.

Diabetes gestacional passa depois do parto?

Na maioria das mulheres, sim. Ainda assim, é recomendado repetir o TOTG a partir de 6 semanas após o parto e manter acompanhamento ao longo da vida.

O que acontece se eu vomitar durante a curva glicêmica?

Avise o laboratório. Em geral, o exame precisa ser remarcado.

Fontes e referências

  • Organização Pan-Americana da Saúde, Ministério da Saúde, Febrasgo e Sociedade Brasileira de Diabetes – Rastreamento e diagnóstico de diabetes mellitus gestacional no Brasil (2016).
  • Sociedade Brasileira de Diabetes – Diretrizes: diagnóstico e tratamento do diabetes na gestação.
  • International Association of Diabetes and Pregnancy Study Groups (IADPSG) – critérios diagnósticos.
  • American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) – Practice Bulletin nº 190: Gestational Diabetes Mellitus.

Aviso importante: este conteúdo é informativo e foi produzido com base em diretrizes de instituições de saúde reconhecidas. Ele não substitui a consulta com médico obstetra, pediatra ou outro profissional de saúde que acompanha você e seu bebê. Em caso de sinais de alerta, procure atendimento imediatamente. Leia nossa Política Editorial.